Falaremos mandarim?


Falaremos mandarim?

Enviado por eventosicbreventosicbr 1028 dias atrás + (Editorial)
Não é de hoje que ouvimos falar que os chineses namoram o setor automobilístico brasileiro. Eles devem conhecer bem o nosso mercado, pois não é de hoje que algumas de suas marcas de motocilcletas operam por aqui. Mas pelo que tudo indica, agora o mandarim fará mesmo parte do segmento. Notícias do jornal o Globo de 19/07/2009, por exemplo, revela que a TRAXX avalia investir U$$20 milhões para ampliação de sua fábrica em Manaus. Seguindo a mesma trilha, está a CR Zongshen que pretende construir, na mesma região, uma fábrica de motos e quadriciclos, devendo para isso, investir algo em torno de U$$80 milhões.

No mercado de automóveis apesar de incipiente, as investidas chinesas revelam que agora é para valer. Depois de uns três anos analisando o mercado e buscando parceiros, a Chery fechou representação com o grupo empresarial JLJ de São Paulo. As notícias dão conta de que 25 concessionárias foram nomeadas e que a montadora negocia abrir uma fábrica por aqui. Em breve (estava previsto para esse mês de julho) ocorrerá o primeiro lançamento de um carro da Chery no Brasil: o Tiggo.

Mas, pelo que tudo indica outras marcas, além da chery, virão. As também chinesas JAC e BYD, avaliam sua estreia por aqui. Durante anos, investidores de todo o mundo nos viam como uma nação pouco confiável, com política econômica instável, mão de obra de baixa qualidade e insuficiente para atender aos grandes empreendimentos, inflação alta, moeda não estável, falta ou falha de insfraestrutura, excesso de burocracia, elevada carga tributária, corrupção, autoritarismo dos governantes etc.

Aos poucos, o mundo vem percebendo que o Brasil já não é mais o mesmo de outras épocas. Pode não ter resolvido todos os problemas, mas é inagável que melhoramos muito em diversos aspectos. Temos boas escolas, a inflação está sob controle, a moeda é estável, as instituições estão se fortalecendo, o governo tem sido proativo e parceiro da indústria, os investimentos em logística e infraestrutura podem não ser o ideal, mas estão ocorrendo e o país se desenvolvendo economicamente. Basta ver os números da indústria altomobilística nos últimos anos e tirar as suas próprias conclusões.

Não é por acaso que este ano teremos, seguramente, mais de 40 novos lançamentos de veículos (só por estes dias são sete: Renault Master 2010, Chevrolet Astra 2010, Mitsubishi Pajero Dakar, Kia Soul, Volkswagen Pólo I-Motion, Honda City e a Ford Ranger renovada) de carros no Brasil.

Somos a sexta economia do planeta. As antigas e costumeiras choradeiras das multinacionais, alegando falta de lucros, cederam lugar ao otimismo e anúncios de volumosos invesimentos na produção. O que mais parece é que o mundo percebeu que os mercados cativos dos grandes players, até então, considerados lucrativos e seguros, revelou-se ruim e inseguro. Já algumas praças temidas, pelos investidores, a exemplo dos Brasil, vem se revelando que não eram tão feio quanto revelavam suas fotos.

Além disso, o mundo sabe que outros países com vendas de veículos automotores bastante inferiores a nossa, a exemplo da Austrália, Canadá, e muitos países da europa, têm muito mais marcas competindo do que no Brasil. É claro que por aqui não vai ser diferente. Mas, aconteça o que acontecer, de uma coisa podemos ter certeza: teremos de aprender a conviver com mercado mais competitivo, margens de lucro menores, consumidores mais exigentes etc. Ganha o consumidor que terá um leque ainda maior de opções e ofertas.
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